Como a frequência analógica interfere diretamente no sinal da tecnologia 4G

O avanço da internet móvel já está a todo vapor. É cada vez mais difícil encontrar alguém que não use esse recurso com alguma frequência. Por isso, também está se consolidando a tecnologia 4G — uma forma mais avançada do 3G, que promete aumentar a velocidade de navegação móvel de seu modesto 1mb para até 20mb.

Essa promessa foi, em quase todos os aspectos, muito bem recebida. A lentidão no carregamento em aparelhos móveis é um dos motivos para muitos sites ainda manterem a maioria de seus acessos por desktops. Porém, outro problema veio junto com essa novidade, que não era de todo esperado: o sinal analógico. Este modelo mais antigo de transmissão sem fio é um dos motivos para o 4G ainda passar por dificuldades no Brasil.

Não compreende o motivo? Então, acompanhe e entenda do que se trata.

tecnologia 4G

 

Como funciona o sinal analógico?

Antes de falar da tecnologia 4G, é importante entender o que é o sinal analógico e como ele ainda está presente. O conceito de “analógico” é um tanto complexo, mas, no nosso contexto, ele se refere ao sinal de rádio gerado por aparelhos e torres de transmissão — esses que são captados e traduzidos em som e imagem, de acordo com as propriedades das ondas.

Dentro do Brasil, os sinais são identificados pelas suas respectivas frequências, que são medidas em mega-hertz ou em giga-hertz. No caso da TV analógica, esta está na faixa de 700 mega-hertz. Dentro dessa faixa de frequência, são colocadas outras propriedades, como amplitude e subfaixas de frequência, as quais distinguem os canais e suas respectivas propriedades. Estas que formam as imagens e sons.

Para captar um sinal, é necessário ter um receptor. No caso da TV, é uma antena, geralmente parabólica, que direciona todos os sinais de rádio para um ponto específico. Esses sinais passam para o conversor ou para a TV, que isolam as frequências corretas e te permitem assistir um canal de cada vez.

 

Como funciona a tecnologia 4G?

A partir do sinal analógico, foram desenvolvidas novas tecnologias para melhorar a qualidade, alcance e praticidade do uso desses sinais. De forma simples, novas faixas de frequência foram adotadas, permitindo uma transmissão mais rápida de maiores quantidades de informação. Em compensação, não tinham o mesmo alcance independente de um fio. É o caso do sinal de internet móvel.

Da mesma forma que o sinal de TV analógico, o 3G e o 4G trabalham em suas respectivas faixas de frequência. O 3G utiliza a faixa de 2,1 giga-hertz, enquanto o 4G teve como proposta inicial a faixa de 2,5 giga-hertz. Esta que é muito usada na Europa e na Oceania.

As principais diferenças entre a tecnologia 4G e o sinal analógico são a velocidade e o alcance. Enquanto o sinal analógico é capaz de atravessar grandes distâncias, o de internet móvel pode ficar fraco e inconsistente, caso não haja uma torre de transmissão nas proximidades. Por outro lado, é possível transmitir imagens de maior definição com o 4G, que jamais seriam possíveis na TV aberta analógica.

 

De que forma essas duas tecnologias se encontram?

A diferença de qualidade, velocidade e alcance de transmissão que mencionamos é causada, em boa parte, pela faixa de frequência utilizada na transmissão. Enquanto o 4G teve como faixa prioritária a de 2,5 giga-hertz, o governo acredita que o ideal é colocá-la na faixa de 700 mega-hertz — considerada a melhor de todas para qualquer transmissão de conteúdo a distância.

Com a chegada do sinal digital de televisão, era de esperado que a faixa fosse liberada até 2016, ao menos nas grandes cidades. Mas as empresas de comunicação afirmaram que ainda há uma quantidade considerável de cidadãos que utilizam o sinal analógico da TV aberta. Encerrar as transmissões prejudicaria a maior parte da população.

Essa questão gerou um grande impasse sobre a aplicação da tecnologia 4G. Por determinação da justiça, a faixa de 700 mega-hertz já está sendo utilizada por ambos os sinais, já que apresenta maior qualidade. E qual foi a consequência disso? — interferência.

Como ambas trabalham em faixas muito próximas, um sinal tende a interferir no outro, provocando erros na transmissão de conteúdo. Isso se manifesta em travamentos no carregamento de sites, oscilações na imagem da TV, entre outras coisas. Também há o agravante de que, como essa é a melhor faixa de comunicação, ela também é prioridade para outros serviços, como segurança, bombeiros, emergência, etc.

Essas interferências, de forma geral, não são tão frequentes. Vários testes feitos em campo e em laboratório mostraram que é possível ter os dois serviços ocupando uma faixa próxima. A questão é quando o 4G se tornar a forma principal de navegação móvel, aumentando o espectro necessário da frequência, para manter o nível de qualidade.

 

Como é possível evitar esses problemas?

Tendo em vista que muitas pessoas precisam de todos esses serviços, são tomadas várias atitudes para evitar essa interferência. Uma delas foi colocar em prática o plano original: liberar a faixa que antes pertencia à TV para a tecnologia 4G. Medidas como a distribuição de conversores digitais, por exemplo, já são bem recorrentes.

Considerando que a migração completa da faixa de sinal ainda deve levar mais um tempo, além de demandar mais investimento e mobilização, é necessário que se crie bastante espaço para mudança na recepção do sinal digital de TV. Se tudo ocorrer como o planejado, a qualidade da transmissão da TV aberta também será maior e mais acessível para toda a população.

Por outro lado, essa faixa já está em uso. Isso significa que, além de resolver a questão no longo prazo, é necessário remediá-la no presente. O método encontrado foi a utilização de um “filtro de sinal”, que identifica a frequência correta e evita que ela seja atrapalhada pelas demais durante a transmissão. O custo desse filtro foi colocado como de 5 dólares americanos.

No momento, só resta esperar que a tecnologia 4G assuma por completo a faixa de 700 mega-hertz, ou que seja encontrada uma forma mais eficiente de evitar interferência com os demais sinais.

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